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Entrevista da Semana / FLAGRAS EM VÍDEO
07.10.2017 | 20h00
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"Querem que coloque os deputados no paredão e metralhe"

Presidente da AL critica pré-julgamento de colegas, defende PEC e se diz propenso a deixar a política

Alair Ribeiro/MidiaNews

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Botelho administra Assembleia Legislativa em meio a crise política e financeira

VINÍCIUS LEMOS
DA REDAÇÃO

Prisão de deputado, parlamentares filmados recebendo "mensalinho" na legislatura passada e dificuldades de caixa em razão do atraso nos repasses do duodécimo. Em meio a este turbilhão, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Eduardo Botelho (PSB), diz que tenta melhorar a imagem da Casa.

 

Botelho assume que os recentes escândalos prejudicaram a imagem da instituição, mas minimiza e se mostra otimista ao comentar o assunto. “Não é só a Assembleia, é todo o País. Há uma crise moral, política e econômica em todo o Brasil. Acho que este é um momento em que estamos saindo de um mar de corrupção para um mundo melhor”, diz.

 

Ele também nega que a Assembleia esteja inerte diante das acusações contra deputados filmados recebendo dinheiro no gabinete do ex-governador Silval Barbosa. E defende o direito a ampla defesa. "Vocês estão querendo que coloque os deputados em um paredão e metralhe todo mundo. Não é por aí. É importante dar o direito à presunção da inocência. Ou a Constituição não vale mais?", questiona.

 

Aliado do governador Pedro Taques (PSDB), ele não acredita que o Executivo tenha culpa na crise enfrentada pela Saúde em Mato Grosso. “Não diria que é falha do Governo do Estado. É erro do Governo Federal”, comenta, referindo-se à queda nos repasses da União.

 

Para o futuro, o presidente da Assembleia afirmou que analisa a possibilidade de deixar a carreira política, pois tem vivido em situação constante de estresse desde que assumiu a liderança da Casa de Leis.

 

“Eu tinha uma vida mais tranquila, mas hoje trabalho muito mais e ganho menos. Não tenho sábado, não tenho domingo, nem mais nada. Passo o dia trabalhando. Tenho que fazer reuniões até tarde da noite, tenho que atender a todos aqui”, relata.

 

Eu tinha uma vida muito mais tranquila, mas hoje trabalho muito mais e ganho menos. Não tenho sábado, não tenho domingo nem mais nada

Veja os principais trechos da entrevista:

 

MidiaNews – Nos últimos dias, houve afastamentos e prisões de secretários em Mato Grosso, além de desentendimento entre Poderes. Afinal, o que está acontecendo no Estado neste momento? Há uma crise institucional?

 

Eduardo Botelho – Não! Não acho que tenha crise entre Poderes. Muito pelo contrário, há uma independência entre eles, uma vez que cada um está fazendo seu papel. Então o Judiciário está fazendo o papel dele. Entendeu que deveria fazer os afastamentos e os fez. Isso não quer dizer que haja uma crise entre os Poderes. O presidente do Poder Judiciário é o [desembargador] Rui Ramos, que está muito alinhado com o governador, porque o alinhamento tem que ser nas questões administrativas. Mas sobre questões jurídicas, isso não é guerra de Poder, é interpretação do juiz, do desembargador. Isso não tem nada a ver com guerra entre Poderes.

 

MidiaNews – Neste momento de prisões e afastamento, houve uma declaração do governador Pedro Taques falando que "juiz parcial é pior que criminoso", numa referência ao desembargador Orlando Perri, que está à frente dos inquéritos sobre grampos. Não é uma declaração muito forte?

 

Eduardo Botelho – Olha: acho que é preciso entender também que há momentos de emoção em que você vê pessoas ao seu lado – como parentes, amigos, colaboradores ou secretários – passando por prisões e acaba tendo emoção e saindo em defesa deles. Isso foi momentâneo. Não acho que seja o sentimento do governador. Não é o que ele pensa. Em minha opinião - não falei com ele sobre isso -, acredito que tenha sido algo mais emocional.

 

MidiaNews – O senhor acha que o perfil do governador, muito combativo, não atrapalha em um momento desses? Não seria melhor ele ser mais diplomático?

 

Eduardo Botelho – O governador tem essa característica, que é pessoal e ninguém muda. Ele tem esse jeito de sempre enfrentar, pois vem de lutas dessas no Ministério Público Federal. Ele tem as qualidades, que são maiores que isso. Ele tem o objetivo de acabar com a corrupção no Estado, tentar fazer gestão mais humanizada, sobretudo na Saúde Pública, como por exemplo com a Caravana da Transformação. As qualidades dele se sobrepõem ao fato de ser um homem combativo e de enfrentamento.

 

MidiaNews – Criticam muito a questão da Saúde no Estado. Inclusive, ontem o senhor teve que intervir e repassar, por meio da Assembleia Legislativa, R$ 2,5 milhões aos hospitais filantrópicos do Estado.

 

Eduardo Botelho – Não tive que intervir em nada. Primeiro porque não posso intervir. Governo é Governo e Assembleia é Assembleia. Estamos ajudando, participando de uma discussão, mas não para intervir, pois é diferente. Estamos entrando para ajudar. Inclusive, reunimos deputados, que concordaram que a Assembleia abra mão de alguns recursos, para ajudar neste momento. Embora seja pouco, é importante para salvar a Santa Casa, Júlio Muller, Hospital do Câncer, entre outros. É um valor pequeno, mas que dá sobrevida neste momento.

 

MidiaNews – Então há falha do Governo do Estado neste setor?

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Eduardo Botelho 05-10-2017

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho

Eduardo Botelho – Não é falha. Talvez seja falha do Governo Federal, que está devendo uma fortuna para a Saúde e para a Educação. Isso está prejudicando e muito essa situação. Então, o Governo do Estado está sofrendo por conta disso. Não diria que é falha do Governo do Estado. É erro do Governo Federal. 

 

MidiaNews – Sobre a PEC do Teto de Gastos, já se anunciou que haverá um abrandamento. O período de controle orçamentário cairá de dez para cinco anos. Como se chegou a esse entendimento?

 

Eduardo Botelho – A bancada do Governo fez uma proposta para o secretário de Fazenda e o de Planejamento, para reduzirmos o prazo de 10 [da proposta federal] para cinco anos. Aconselharam a reduzir o prazo de revisão, pois poderá haver revisão de salário ou geral, de acordo com o andamento da arrecadação, em dois anos. O secretário foi, junto com o governador, na Secretaria do Tesouro Nacional. Lá, eles tiveram uma discussão na qual o secretário mostrou que Mato Grosso é um Estado diferenciado, que vem crescendo mais que a média nacional. Neste ano, enquanto a média nacional é 0,5%, o nosso foi 5% [de aumento no PIB] e pode ser muito maior nos próximos anos.

 

Dentro desse cenário, Mato Grosso poderia ser diferenciado. A STN concordou com isso e disse que aceitaria a PEC com essa redução de tempo.

 

MidiaNews – O senhor acha que isso vai facilitar a negociação com os servidores contrários à PEC?

 

Eduardo Botelho – Eu diria que os funcionários são contrários em termos, porque a PEC vai garantir a RGA [Revisão Geral Anual] e as progressões de carreira que estão em lei. Evidentemente que em tudo tem que cumprir uma meta. Temos que acreditar no Estado, porque, se não acreditarmos, vamos estar andando pra trás. A RGA de 2017 e de 2018 estão garantidas em lei. Então, eu acredito que não vai haver prejuízo para os servidores, de um modo geral. Acredito que a maioria deles entende isso. O Estado não pode abrir mão de um ganho que pode chegar a R$ 1,3 bilhão em dois anos, que é um valor que, inclusive, vai garantir os pagamentos dos salários. Então, o servidor não pode ser contra isso. Só se a pessoa estiver com um olho tapado para ser contra um negócio desses.

 

MidiaNews – Seria um tiro no pé do Governo não aprovar a PEC?

 

Eduardo Botelho – Não aprovar a PEC não é um tiro no pé do Governo, é no Estado de Mato Grosso. É como se falassem que temos condições de obter R$ 1,3 bilhão, mas estamos abrindo mão disso. Eu acho que ninguém aceitaria isso.

 

MidiaNews – Na semana passada, o Fórum Sindical fez representações no Ministério Público e no Tribunal de Justiça dizendo que a Assembleia e o Governo, com tantos escândalos, não têm condições de aprovar a PEC. Como o senhor enxerga isso?

 

Eduardo Botelho – A autoridade maior, hoje, é o Supremo [Tribunal Federal]. E eu estou aqui com as decisões do STF, que deram a legitimidade dos mandatos para os deputados [não afastando do cargo os que foram citados na delação de Silval Barbosa]. No momento em que ele não admitiu que fosse cortada a legitimidade do mandato, ele deu direito para votar tudo o que vier na Casa. Ou não? Ele não disse que era para votar isso e que aquilo não poderia. Está escrito que não existe nenhum motivo para afastamento do mandato de nenhum deputado, uma vez que o que aconteceu foi no mandato anterior. E que não há nenhuma prova de que o que houve no mandato passado esteja se repetindo hoje. Não há motivo para afastar do mandato. Então, como agora alguém vai dizer que não pode votar a PEC? Oras, então tem que ir ao STF e pedir para afastar de uma vez, porque não há meio mandato. Ou está na função parlamentar ou não está.

A autoridade maior, hoje, é o Supremo. E eu estou aqui com as decisões do STF, que deram a legitimidade dos mandatos para os deputados

 

MidiaNews – O senhor concorda que, com todas essas questões, entre elas denúncias e supostas propinas, a Assembleia vive uma crise grave?

 

Eduardo Botelho – Não é só a Assembleia, é todo o País. Há uma crise moral, política e econômica. Por exemplo, existe a briga do Senado com o Supremo. Estamos vivendo uma crise em todo o Brasil. Acho que este é um momento em que estamos saindo de um mar de corrupção para um mundo melhor. Esses problemas fazem parte. Não há como mudar alguma coisa sem haver algum tipo de atrito. Isso é normal nesse período que estamos passando. Não vejo nada como anormal. Isso faz parte. Não adianta falar que vão retirar todo mundo. No ano que vem temos eleições e o povo que tire os políticos que tiver vontade. São as pessoas que têm poder de eleger os políticos.

 

MidiaNews – Parte da população enxerga que a Assembleia tem feito pouco em relação aos deputados que aparecem recebendo supostas propinas do ex-governador Silval Barbosa nos vídeos anexados à delação dele.  Parece que a Assembleia está passando a mão na cabeça desses deputados.

 

Eduardo Botelho – Não está. A Assembleia não tem como fazer nada, pois está aguardando. Tudo o que deve ser feito está sendo realizado pelo Supremo. Nós não temos poder de investigação maior que eles, que possuem muito mais dados e capacidade de apuração.

 

MidiaNews – Para o senhor, não existe nenhuma medida que a Assembleia poderia tomar em relação aos deputados investigados?

 

Eduardo Botelho – Nós somos pautados pela Constituição e pelo Regimento Interno, que dizem que a Mesa Diretora deve encaminhar ao Conselho de Ética qualquer fato concreto que chegue à Assembleia. Não há nada que chegou. Nenhum vídeo sobre a delação do Silval Barbosa chegou aqui. A única coisa que chegou foi do Supremo, dizendo que estava investigando os deputados e que eles deveriam continuar no mandato.

 

Na hora em que as investigações tiverem mais dados, eles vão encaminhar para a gente e nós vamos aguardar. Mas não pode ser feito um pré-julgamento. Vocês estão querendo que coloque os deputados em um paredão e metralhe todo mundo. Não é por aí. É importante dar o direito à presunção da inocência. Ou a Constituição não vale mais?

 

MidiaNews – A quem o senhor se refere quando fala que “querem que coloque em um paredão e metralhe todo mundo”?

 

Eduardo Botelho – Eu falo sobre quem tem a ideia de que se deve punir e afastar agora. É preciso esperar para ver o que vai acontecer. Há poucos dias aconteceu uma situação no Sul em que o reitor de uma universidade [de Santa Catarina] se suicidou depois que foi levado algemado. Agora está comprovado que ele não tinha nada a ver com a história. É assim que querem que façam? Que saiam com os deputados daqui algemados, incluindo alguns inocentes no meio? Não é por aí. É preciso haver calma. Ou vocês não confiam no Supremo e na Polícia Federal? É preciso aguardar o trabalho deles. Aliás, quem está fazendo todas as investigações que estão dando resultado no País? É a Polícia Federal. Então por que devemos mudar o caminho e fazer essas investigações aqui dentro?  Para fazemos um negócio de brincadeira? Vamos fazer um negócio sério e esperar os acontecimentos.

 

MidiaNews – Já faz cerca de 20 dias que o deputado Gilmar Fabris está preso no Centro de Custódia de Cuiabá. Isso não é ruim para a imagem da Assembleia?

Alair Ribeiro/MidiaNews

Eduardo Botelho 05-10-2017

Presidente da Assembleia não descarta deixar carreira política nas próximas eleições

 

Eduardo Botelho – Lógico que é ruim. Tudo o que acontece, os vídeos gravados, as denúncias, quem tem nome envolvido, tudo arranha o Legislativo. Toda denúncia que envolve a Assembleia, é evidente que arranha a imagem. Mas não temos como fazer outra coisa a não ser trabalhar. Por isso tenho chamado os deputados e falado: “Gente, nós vamos ter que dar nossa contrapartida à sociedade, que é o trabalho”. Por isso tenho chamado os deputados para virem ao Plenário e para vir para as discussões. Como vamos mudar isso? Com trabalho. Essa é a minha posição a respeito disso.

 

MidiaNews – Há alguma medida referente ao deputado Gilmar Fabris, além do afastamento, conforme definido pelo STF?

 

Eduardo Botelho – Há somente o que foi definido pelo Supremo. Até porque se fizermos qualquer medida aqui, pode ser até questionada, porque o STF já tomou a medida e ele é a autoridade máxima do País. Não cabe a nós, agora, afastar em definitivo o deputado, se o Supremo não afastou. Primeiro é o STF. Por que não podemos votar a soltura do Gilmar aqui? A Constituição manda votar, mas o Supremo entendeu que não deveria votar, então não vamos.

 

MidiaNews – O ex-governador Silval Barbosa disse, na delação premiada, que um deputado membro da CPI das Obras da Copa tentou extorqui-lo. Conforme o peemedebista, o presidente da comissão, deputado Oscar Bezerra, teria lhe cobrado propina para poupá-lo. Há alguma providência a ser tomada em relação a isso?

 

Eduardo Botelho – Tem dois lados aí. Um é o lado que o Silval está falando e o outro é o da realidade. O que aconteceu na CPI não foi isso que o ex-governador disse. Muito pelo contrário: ela acusou, mostrou desvios no VLT e pediu indiciamento de muita gente. Então a realidade não foi essa. Não salvou ninguém. O deputado me disse que não teve conversa e eu acredito nele, porque o relatório foi muito duro em relação às obras. Aliás, muito mais duro do que o que o Silval disse na delação, porque o relatório aponta que só no VLT houve desvio de mais de R$ 300 milhões.

 

MidiaNews – O que o senhor acha dos vídeos em que deputados e ex-deputados aparecem recebendo suposta propina do ex-assessor do ex-governador Silval Barbosa, Silvio Correa?

 

Eduardo Botelho – Eu prefiro não fazer esse julgamento. Cada um que viu o vídeo está fazendo seu julgamento. Em respeito aos companheiros e aos colegas que militam aqui comigo, não farei esse julgamento.

 

MidiaNews – O senhor, como presidente da Assembleia Legislativa, não acha que o povo gostaria de saber a sua posição sobre o assunto?

 

Eduardo Botelho – Prefiro não comentar. É uma prerrogativa minha.

 

MidiaNews – O senhor é visto para 2020 como provável candidato a prefeito de Várzea Grande ou Cuiabá. Qual seu futuro político?

 

Eduardo Botelho – Meu plano primeiramente, agora, é conseguir terminar meu mandato e a presidência. Quero colocar a Assembleia como a mais transparente do País. Para isso criamos vários sistemas, a colocamos no Fiplan, criamos sistema para colocar todos os contratos no Portal da Transparência, entre outros. Então, nosso objetivo é terminar bem essa administração, sem mácula, sem nenhuma denúncia nem ato de corrupção aqui dentro. Esse é o meu objetivo. Agora, o futuro a Deus pertence. Hoje, gostaria de voltar para a minha atividade e sair da política. Esse é o meu sonho, mas tenho que cumprir minha missão.

 

MidiaNews – Mas então o senhor seria um político de um mandato só?

 

Eduardo Botelho – Talvez. Não sei. Vamos aguardar.

 

MidiaNews – O senhor não planeja nem mesmo a reeleição?

Por enquanto estou vislumbrando a possibilidade de não ser nem candidato à reeleição

 

Eduardo Botelho – Por enquanto estou vislumbrando a possibilidade de não ser nem candidato à reeleição.

 

MidiaNews – Por quê?

 

Eduardo Botelho – É questão de foro íntimo. Eu tinha uma vida muito mais tranquila, mas hoje trabalho muito mais e ganho menos. Não tenho sábado, não tenho domingo nem mais nada. Passo o dia trabalhando, tenho que fazer reuniões até tarde da noite, tenho que atender a todos aqui. A gente trabalha muito, isso é estressante e estou passando por um momento de estresse que nunca imaginei passar.

 

MidiaNews – O senhor diz que não tem planos para 2018, mas está planejando se filiar ao DEM, em razão de dificuldades no PSB.

 

Eduardo Botelho – O partido tem 50 mil filiados e no ano que vem vai ter cento e poucos candidatos, em todos os grupos que tiver. Você pode ser filiado sem ser candidato.

 

MidiaNews – Mas o senhor vai realmente migrar para o DEM?

 

Eduardo Botelho – É possível. É o caminho que mais se apresenta para nós, com mais condições. Fiz uma consulta [na Justiça Eleitoral] junto com os deputados Fábio Garcia, Max Russi, Mauro Savi, Oscar Bezerra e Adilton Sachetti, sobre a possibilidade de sairmos do partido, uma vez que fomos atingidos por uma atitude antidemocrática do diretório nacional, que nos tirou da direção e nos tolheu o direito de participar da liderança do PSB. Devido a tudo isso, pedimos que possamos ser autorizados a deixar o partido, sem caracterizar infidelidade partidária. Se vier essa resposta, a gente sai de imediato. Caso a resposta seja negativa, vamos esperar a janela partidária para quem tem mandato, que será em março.

 

MidiaNews – O senhor chegou a receber proposta para assumir a presidência do DEM em Mato Grosso?

 

Eduardo Botelho – O convite existiu. Eu já recebi várias propostas, de diversos partidos, porém não quero ser presidente de nenhum deles. Acho que o DEM tem uma direção muito boa, que é a do deputado Dilmar Dal Bosco.

 

MidiaNews – Esta semana vai ser decisiva em relação à PEC? Qual a expectativa do senhor?

Alair Ribeiro/MidiaNews

Eduardo Botelho 05-10-2017

Botelho acredita que PEC do Teto de Gastos seja saída para melhorar situação econômica em Mato Grosso

 

Eduardo Botelho – A ideia é fazer, nesta semana, ao menos  a primeira votação. Como existe o feriado na quinta-feira, teremos apenas terça e quarta-feira para votar a PEC. É difícil que ela seja votada nesta semana, mas tudo vai depender do andamento. A pauta está travada por conta dos vetos do Executivo. Enquanto não acabarmos os vetos, não posso colocar nada em votação. Vai depender do andamento disso.

 

MidiaNews – Os servidores afirmam que a PEC vai prejudicar a categoria e todo o Estado. Como o senhor encara essas afirmações?

 

Eduardo Botelho – Ela não vai prejudicar. É um ganho para o Estado, na medida em que vamos receber R$ 1,3 bilhão com o que vamos deixar de pagar para a União. Só isso já é um ganho. A PEC não traz prejuízo aos servidores, pois garante as leis aprovadas e a RGA. Inclusive, com esse dinheiro que vai sobrar, é possível até melhorar as condições para pagar os servidores. Então, não vejo onde haveria prejuízo.

 

A PEC não controla apenas salários, ela controla os gastos primários, que são aqueles que são feitos para manter a máquina funcionando. Como por exemplo: salário, combustível, cafezinho, limpeza, entre outros gastos. Esse custeio será controlado de um modo geral. Isso vai possibilitar que o Estado tenha capacidade de investimento. Se não houver esse controle, vai aumentar o custeio e vamos chegar ao que ocorria na década de 80, quando o Estado não tinha dinheiro nem para pagar salário e sempre atrasava. Na época, o custeio ficou maior que a arrecadação. Por isso a importância da PEC.

 

Para ter uma ideia, a folha de pagamento de Mato Grosso aumentou quase 40% em três anos. O que aumentou 40% nesse período? A arrecadação não aumentou. Então, se não controlarmos, a coisa vai aumentando e daqui a pouco o custeio está maior que a arrecadação. Então, a população tem que entender isso.

 

MidiaNews –  O congelamento dos gastos públicos vai prejudicar serviços essenciais como Educação, Saúde, entre outros?

 

Eduardo Botelho – Não. Por que prejudicaria? O salário dos professores e o custeio da máquina estão lá. O que não pode é aumentar de modo exorbitante, por exemplo, o custo para manter uma sala de aula.

 

MidiaNews – Como estão as negociações sobre os duodécimos atrasados?  

 

Eduardo Botelho – O Governo tem dito: “Devo, não nego e pago quando puder”. Hoje a dívida dele com todos os Poderes diria que seria algo em torno de quase R$ 500 milhões. Os poderes estão tendo bom senso. O Ministério Público, o Tribunal de Justiça, o Tribunal de Contas e a Assembleia Legislativa estão tendo bom senso, porque ninguém foi pedir arresto de dinheiro do Estado para cobrir duodécimo. Em que nós ajudaríamos o Estado fazendo isso? Iria prejudicar e muito. Houve um consenso entre os Poderes, que decidiram que não era o momento de fazermos isso, devido à crise pela qual o Estado está passando.

Hoje a dívida do Governo com todos os poderes, diria que seria algo em torno de quase R$ 500 milhões.

 

Houve o entendimento dos Poderes de que nós precisamos receber isso, os Poderes precisam disso, sobretudo o TJ e o MPE, que precisam disso para fazer investimentos. Então, estamos fazendo um estudo, também na PEC, para que, caso haja excesso de arrecadação, parte seja destinada para pagar a dívida. Mas tudo depende da quantidade de excesso que o Estado tiver. É o que fizemos na PEC para tentar achar saída para o futuro.

 

MidiaNews – O senhor foi citado na delação de Silval Barbosa como um dos beneficiados em um esquema de desvio de recursos no Detran. O senhor já se defendeu sobre esse caso?

 

Eduardo Botelho – A respeito disso, só tenho a dizer que participei durante um período, de 2010 a 2012, como investidor. Há uma acusação de que nesse período aconteceram fatos alheios. Vou responder no momento certo em que for chamado. Não vou adiantar agora, porque são defesas jurídicas e as farei no momento oportuno.

 

MidiaNews –  O senhor acha que em alguns casos Silval mentiu para obter benefícios?

 

Eduardo Botelho – Não vou dizer que ele mentiu. Eu acho que em muitas coisas ele fez confusão. O rolo era tão grande que não acredito que a cabeça dele lembrava de tudo. Talvez ele tenha pegado dinheiro de um e não lembrava se era de outro. Acredito que aconteceu isso. Não diria nem que ele fez por maldade ou para ter benefício. Primeiro, porque ele não anotava de quem recebia dinheiro, porque não tinha listinha. O negócio era tão grande que ele não lembra tudo mesmo. O cara pegou quase R$ 1,5 bilhão do Estado. Não acredito que o cara vá lembrar de tudo depois. Então, eu imagino que ele tenha feito essa confusão na cabeça dele.




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AUREMÁCIO CARVALHO  09.10.17 15h51
O QUE TODO O POVO DE MATO GROSSO QUER É A APLICAÇÃO DA JUSTIÇA: AS IMAGENS SÃO CLARAS, OBJETIVAS. NÃO DÁ PARA DESMENTIR: DEPUTADOS, EX-DEPUTADOS, PREFEITOS, SERVIDORES PÚBLICOS RECEBENDO DINHEIRO E SORRINDO NA FOTO, FAZENDO PIADAS. DÁ PARA DIZER QUE SÃO MONTAGENS? QUE A LEI PREVALEÇA E PAGUEM PELO ERRO.
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Leani   08.10.17 18h28
Parabéns deputado! Teve maturidade e bom senso. Muitos como você querem deixar a politica, mas é uma pena, porque até o momento mostrou que quer o bem da população. Sucesso deputado, e que a PEC do teto, que vem com 10 anos de atraso, seja aprovada!
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Kássia  08.10.17 16h02
Kássia, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
Pedro Luis  08.10.17 12h01
Gostei muito do posicionamento do deputado. Mostrou maturidade e bom senso, principalmente no comando da AL. Percebo que muitas gente de bem querem deixar a politica, o wue é uma pena. Sucesso deputado, e que a PEC do teto, que vem com 10 anos de atraso, seja aprovada com louvor.
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benedito costa  08.10.17 11h40
benedito costa, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas

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