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Opinião / SERAFIM CARVALHO
12.10.2017 | 06h38
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A mineração sob nova ótica

A diferença do valor da riqueza produzida é astronômica em favor da mineração

O renomado geólogo brasileiro Elmer Prata Salomão com Antônio Tadeu Correa Veiga, no artigo "Mineração Presente e Futuro da Amazônia", no livro publicado pela Academia Brasileira de Ciências, Recursos Minerais no Brasil Problemas e Desafios, fizeram uma interessante comparação da renda por hectare e do impacto no meio físico provocado pela mineração industrial na Amazônia, com a mesma área de um hectare de soja, por exemplo.

 

A diferença do valor da riqueza produzida é astronômica em favor da mineração. Mas isso será tema de um próximo artigo.

 

Antes de abordarmos essa comparação, gostaria de reproduzir algumas afirmações contidas nesse artigo do geólogo Elmer, que reputo da maior importância para nossa reflexão.

 

"A Amazônia é a última fronteira mineral importante da terra, especialmente a parcela contida no território brasileiro. Sua grande superfície, a geodiversidade e o patrimônio já revelado asseguram um grande potencial mineral, comparável ao das principais regiões produtoras do mundo. Todavia o subsolo ainda é pouco conhecido e, em muitos casos, mal aproveitado. Coexistem os três estágios tecnológicos de utilização dos recursos minerais pela humanidade: a coleta mineral povos indígenas; o extrativismo mineral garimpos e a mineração organizada empresas".

Os recursos naturais, renováveis ou não, devem ser transformados em fontes permanentes de renda, com sustentabilidade, para o bem-estar social do homem

 

"A produção formal já alcança destaque internacional e tende a prolongar por muito tempo. Se conduzida com responsabilidade e em bases técnicas adequadas, a mineração poderá se harmonizar ao uso dos demais recursos naturais e configurar uma alternativa viável para o desenvolvimento sustentável de uma grande porção da Amazônia, proporcionando a geração de benefícios amplos e duradouros".

 

Como se sabe, a mineração é fator de interiorização do desenvolvimento. Onde ela se instala, instala-se também a infraestrutura de transportes, de energia elétrica e de comunicação. Instalam-se postos de saúde, escolas, creches e inúmeros serviços profissionais de apoio como serralheiro, eletricista, borracheiro e as atividades do comércio, lojas em geral, hotéis, restaurantes, lanchonetes etc. são instalados também.

 

O conhecimento prévio da geodiversidade da Amazônia, concebido pelo Serviço Geológico do Brasil, abrange as rochas, o relevo, o clima, os solos e as águas, se constituindo como condição sine qua non para as empresas se instalarem, para a realização da pesquisa mineral, que para o leigo, em resumo é dizer quanto tem de mineral? Quanto custa para extrair? Em quanto tempo? Ou seja, se trata de uma jazida.

 

O pequeno impacto da mineração no meio físico pode ser avaliado por exemplo, comparando a produção da Amazônia em 2013 (DNPM), de 175 milhões de toneladas de diversos minérios, de cujas caraterísticas pode-se estimar a quantidade de rocha mais estéril lavrados em todas as minas, de 566 milhões de toneladas, equivalendo a 277 milhões de metros cúbicos escavados.

 

Esse volume equivale a uma cava de 50 metros de profundidade numa área de 554 hectares. Essa superfície equivale a uma pequena fazenda em Mato Grosso.

 

A receita gerada pela mineração nessa área foi de 14,7 bilhões de dólares, ou U$ 26.534,00 de hectare.

 

Se comparada aos melhores resultados do Valor Bruto da Produção de soja e algodão em 16/17 (Imea), somados, o Valor Bruto Total desses produtos da agricultura está aquém desse da mineração. O Valor Bruto da Produção de soja em 16/17 foi de R$ 32.068.017,00 numa área de 9.396.349 hectares.

 

O de algodão foi de R$ 6.288.589,00 numa área de 625.576 hectares.

 

Entretanto, nem por isso a atividade agropecuária deixa de ser importante e imprescindível à vida como é, pois produz alimentos e a mineração é também imprescindível ao produzir os insumos para produção desses alimentos e outros importantes minerais para a indústria de modo geral.

 

Volto a afirmar que os recursos naturais, renováveis ou não, devem ser transformados em fontes permanentes de renda, com sustentabilidade, para o bem-estar social do homem.

 

Essa é a harmonização que entendo ter sido proposta pelo artigo do Elmer.

 

SERAFIM CARVALHO MELO é engenheiro geólogo, superintendente do Departamento Nacional de Produção Mineral em Mato Grosso (DNPM-MT).

serafimcmelo@gmail.com




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