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Política / CONFISSÃO NA ÍNTEGRA; LEIA
19.06.2017 | 13h56
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Silval diz que escolheu “staff” visando apoio para obter propinas

Em depoimento à Defaz, ex-governador detalhou três esquemas investigados na Operação Sodoma

MidiaNews

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O ex-governador Silval Barbosa, que foi solto após fazer confissão

LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) afirmou, em sua confissão à Delegacia Fazendária (Defaz), que escolheu o “staff” de seu governo com pessoas de sua confiança, visando ter ao lado secretários que arrecadassem propina para saldar seus compromissos políticos e dívidas de campanha.

 

No depoimento (leia a íntegra ao final da matéria), dado no dia 1º de junho deste ano, Silval detalhou três esquemas investigados na 1ª, 2ª, 3ª e 4ª fases da Operação Sodoma.

 

Silval é réu em quatro ações penais derivadas da operação e estava preso desde setembro de 2015 por conta das investigações. Ele foi solto na última terça-feira (13), após confessar os crimes e devolver R$ 46 milhões em bens aos cofres públicos.

 

O ex-governador justificou, em sua confissão, que na campanha de 2010 assumiu muitas dívidas de campanha e, por isso, nomeou secretários que pudessem ajuda-lo a quitar tais débitos arrecadando propina junto a empresários.

Eu escolhi alguns secretários de minha inteira confiança com o fim de levantar recursos para os compromissos assumidos

 

“Em razão das dívidas e compromissos assumidos na campanha de 2010, acabei escolhendo meu ‘staff’ com pessoas que eram da minha confiança, pois precisava de muitos dos secretários das pastas e em alguns casos dos adjuntos para levantar recursos para o pagamento das dívidas, pois ninguém é governador do Estado sem assumir inúmeras dívidas e inúmeros compromissos políticos que custam muito caro”, contou.

 

O peemedebista disse que este tipo de prática não ocorreu apenas em seu governo, mas com todos os governadores, “pois nenhum empresário doa para campanha sem querer obter algum retorno em contrapartida”.

 

“Eu escolhi alguns secretários de minha inteira confiança com o fim de levantar recursos para os compromissos assumidos, sendo que parte desses secretários ficavam incumbidos de várias funções dentro de suas pastas para atender aos meus interesses durante os anos de 2010 a 2014, criando uma verdadeira organização criminosa”.

 

Entre os secretários citados por Silval que atendiam a tais interesses estão os ex-secretários da Casa Civil, Pedro Nadaf (réu confesso), Marcel de Cursi (Fazenda), Arnaldo Alves (Planejamento) e Valdísio Viriato (Adjunto da antiga Secretaria de Transportes).

 

Acusações

Na Sodoma 1, Silval é réu por liderar esquema que consitia na exigência de propina de R$ 2,5 milhões ao empresário João Batista Rosa para concessão de incentivos fiscais às empresas do mesmo. 

Na 2ª e 3ª fase da operação, ele também é acusado de exigir propina dos empresário Willians Mischur e Julio Tisuji, da Consignum e Webtech, respectivamente, para a manutenção do contrato das empresas com o Estado. Parte do dinheiro teria sido usado pelo ex-secretário de Administração, César Zílio, para a compra de um terreno de R$ 13 milhões na Avenida Beira Rio.

Na Sodoma 4, o ex-governador é apontado como líder do esquema que culminou no pagamento de R$ 31,7 milhões para a desapropriação de um terreno no Bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá, sendo que metade do valor (R$ 15,8 milhões) teria retornado como propina ao grupo.

Já na 5ª fase da Sodoma, Silval é acusado de ter contribuído para um esquema que planejou e executou um desvio de R$ 8,1 milhões dos cofres do Estado por meio de contratos e de compras fraudulentas de combustível da Marmeleiro Auto Posto Ltda. e daSaga Comércio e Serviço Tecnológico e Informática Ltda.

 

Confissão e soltura


No pedido de revogação de prisão, a defesa do ex-governador argumentou que Silval "resolveu assumir publicamente postura defensiva no sentido de colaborar com as investigações e com o deslinde das ações penais".

A defesa também citou que o político estaria se sentindo ameaçado dentro do Centro de Custódia, em razão das informações publicadas na imprensa dando conta de que ele estaria firmando delação premiada. Ele estaria, inclusive, sendo pressionado por pessoas que possam vir a ser delatadas por ele.

As ameaças estariam sendo feitas também contra familiares do ex-governador.

A decisão da juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, contou com parecer favorável do Ministério Público Estadual (MPE). Além de Silval, seu ex-assessor Sílvio Araújo também foi solto após fazer confissão.

Selma Arruda citou também que o fato de ambos estarem sofrendo ameaças dentro do CCC é “preocupante”, já que poderia atrapalhar a descoberta de fatos ainda não revelados.

Na decisão, a juíza concedeu prisão domiciliar aos acusados, que serão monitorados por tornozeleiras eletrônicas.

Segundo ela, a medida é necessária para que os acusados não se ausentem de suas residências "por qualquer motivo".

"O simples fato de terem entregado os passaportes em juízo não garante, por si só, que não possam se ausentar do distrito da culpa ou mesmo do Pais, eis que no Mercosul tal documento sequer é exigido".

"Esclareço que ambos estão proibidos de se ausentarem do distrito da culpa sob qualquer pretexto e só estão autorizados a deslocarem-se sem escolta fora de suas residências, quando for necessário seu comparecimento em juízo", afirmou a juíza.

Silval e Sílvio estão proibidos ainda de manter contato com os demais réus das ações penais derivadas das Operações Sodoma 2, 3 e 4.

"Excetuo a proibição em relação a Silval Barbosa e a seu filho Rodrigo Barbosa por questão humanitária".

Leia a íntegra do depoimento:

 

 




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pedro  19.06.17 14h42
pedro, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas

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